O que é o amor? - Escritora B. Pellizzer

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

O que é o amor?

 

O amor é bom até quando é ruim, já o amar...”

 

Há muitos meses, li essa frase no Instagram do queridíssimo Dercinei Figueiredo, a quem eu recomendo que sigam somente se não tiverem medo de pensar e questionar: o cara é um perigo.

 

Em geral, aprecio muito todas as colocações do Dercinei, e como frequentemente estou alinhada com seus pensamentos, é claro que o considero um homem inteligentíssimo, mas essa frase ficou na minha cabeça por semanas, me comendo, porque eu estava sem tempo para brincar de escrever e — havia muito — eu queria falar sobre isso, sobre o amor.

 

Não apenas o amor romântico, esse das mãos dadas, dos beijos ardentes, das respirações entrecortadas; queria falar sobre o amor em todas as suas formas. E esse tal de amor é complicado, gente!

 

Eu acho muito mais difícil ser amado ou amada do que amar. O amar vem fácil, ele pode ser decidido, ele pode ser motivado por hormônios, ele pode ser imposto, compulsório, obrigatório, anímico... enfim... amar é fácil. Ser amado, entretanto, implica numa reciprocidade. Não porque a gente deva alguma coisa para a outra pessoa, mas porque a outra pessoa espera de você essa reciprocidade. E se essa outra pessoa se relaciona contigo, a reciprocidade é meio que uma questão de honra, afinal, por que você se relaciona com alguém por quem não tem amor?

 

E é aí que mora o diabo: no detalhe.

 

O que você considera amor é a mesma coisa que a outra pessoa considera amor?

Aquela coisa que você chama de amor; a outra pessoa também chama?

 

O amor que a gente dá nem sempre é o amor que a gente recebe, então não chamamos de amor. Do outro lado, a pessoa que recebe o amor que entregamos, se não ama igual, se não reconhece como amor aquilo que damos, também não chamará de amor o que está recebendo.

 

“Ah, mas, sim, eu te amo”, dirá o iludido ou iludida ao perceber que seu amor não é valorizado. Pois... como bem escreveu Alexandre Félix, “todos dizem eu te amo”. O problema é que aquele que ama se põe num pedestal, como se aquilo que ele ou ela chama de amor o redimisse de qualquer malfeito simplesmente por amar. E é assim que as violações e crimes ficam dentro das famílias, pelo amor que se deve ao pai, à mãe, àquele que “cuida” de você, que se sacrifica por amor a você; é assim que o abuso e os maus-tratos se perpetuam, porque aprendemos desde cedo que ser amado é um privilégio, e aqui eu abro um parênteses para falar especificamente das mulheres, porque, uma vez que uma mulher “ganha o amor” de um homem, é como se tivesse sido eleita para o grande prêmio; é assim que as fotos de pobres rapazes com bichos de pelúcia e ramalhetes de rosa atirados pelas calçadas da vida se multiplicam em redes sociais dizendo que não são valorizados.

 

Mas, valorizados pelo quê? Por dizerem que amam? Ora, por favor! Dizer que ama, até bicho de pelúcia diz se você apertar a barriga com vontade.

 

Aquele a quem eu chamo de amor escreveu uma vez que “o amor é sinceridade, partilha, sensibilidade e respeito, todo o contrário não é amor”, mas anteriormente ele havia escrito que o amor é uma coisa simples, e eu não vejo nada de simples em ser sincero, compartilhar, estar atento às necessidades do outro e respeitar, tudo ao mesmo tempo. É tarefa hercúlea (clichê, mas não consegui pensar em analogia melhor), mas é uma boa definição de amor.

 

É por isso que estou aqui, porque quero convidar vocês a fazerem uma viagem sobre as várias definições de amor em textos curtos (espero que mais curtos do que este), e vou deixar vocês decidirem se leram uma história de amor ou não. Vou tentar postar o primeiro amanhã.

 

E vocês? Contem-me aí nos comentários: pra vocês, o que é amor?

Não precisa ser uma definição, pode ser uma historinha, pode ser uma imagem, pode ser uma única palavra que resuma o amor pra vocês.

 

Para encerrar, vou deixá-los uma frase do super Tiziano Ferro, a melhor que já li a respeito do assunto: “Quem quiser ser feliz por mim e comigo é bem-vindo; quem não quiser, pode, alegremente, ir se lascar”.

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Tava com saudade de escrever aqui...

 

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