Rabiscos de fim de dia - Escritora B. Pellizzer

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Rabiscos de fim de dia

 

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O que outros chamam de saudade, eu reconheço como a necessidade de ouvir o som da tua voz ecoando pelas paredes do quarto: forte, alta, irritante, trovejante..., única.

O que outros chamam de beleza, eu reconheço como teu sorriso aberto, cor de pérola brilhante, que se alarga para além das bochechas, para além do horizonte, para além dos meus sonhos mais torcidos.

O que outros chamam de força, eu reconheço como a tua capacidade de fingir não-desespero quando as coisas saem dos trilhos e cada partícula de teu ser grita que precisa de ajuda.

O que outros chamam de carícia, eu reconheço como cada desculpa que minha pele encontra para tocar na tua, desde o roçar das pontas dos teus dedos, até o friccionar dolorido de cada fio espesso de barba do teu queixo.

O que outros chamam de paz, eu reconheço como a visão de você dormindo, de lado, como um menino agarrado ao travesseiro: a única hora do dia em que encontro o silêncio.

No que os outros chamam amor, eu reconheço... você


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